domingo, 8 de fevereiro de 2015

A ordem mundial é um absurdo

Para conseguir alguma coisa na vida, o assalariado tem de trabalhar 8 horas por dia, de segunda à sábado, durante 35 anos. O investidor esperto, ao contrário, escolhe uma aplicação e, sem ter que cumprir horário, vê seu capital crescer a passos largos e em tempo recorde.
Os fundos de previdência privada reajustados por índices de preços, por exemplo, em 2014 chegaram a render 18%; logo, um investidor que tivesse aplicado 1 milhão, teria ganho 180 mil. Com o dólar foi melhor. Em 28/01/2015 a moeda norte-americana era comprada por R$ 2,57, nove dias depois era vendida por R$ 2,78; logo, um investidor que tivesse aplicado 1 milhão, teria ganho quase 82 mil. E não para aí – com as ações da Petrobrás os resultados foram mais espetaculares ainda. Em 30/01/2015 os papéis da petrolífera brasileira valiam R$ 8,18, cinco dias depois eram vendidos por R$ 10,69; logo, um investidor que tivesse aplicado 1 milhão, teria ganho meros 306.842 mil reais.
O que um assalariado comum leva 35 anos para conquistar, um investidor arrecada em cinco dias: isso é justo? Do ponto de vista do capitalismo, sim; do ponto de vista humano, não. É por isso que Marx falava em revolução, é por isso que os Sex Pistols pregavam a anarquia, é por isso que os terroristas cortam cabeças: a ordem mundial é um absurdo: a nossa sociedade está edificada sobre uma base que favorece uma minoria em detrimento da maioria, sobre uma base que tira do pobre e dá ao rico.
Segundo a Revista Forbes Brasil, 150 bilionários detêm cerca de 13% do PIB do país. Entre eles estão Jorge Paulo Lemann, sócio da empresa 3G, dona de marcas como Budweiser, Burguer King e Heinz; Eduardo Saverin, co-fundador do Facebook; o bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e Lina Maria de Aguiar, uma das herdeiras do Bradesco. São justamente estes sujeitos, donos de verdadeiras babilônias, que aplicam no mercado financeiro; são justamente estes sujeitos que andam de lambroghini, que viajam pra Paris, que saem nas capas de revista; são estes sujeitos e a estrutura que os protege, que pagam os baixos salários que mantêm os trabalhadores comuns acorrentados durante 35 longos anos; somos nós, em contrapartida, que consumimos o hambúrguer, a igreja e a rede social que as empresas deles produzem.

"Quem é maior: Deus ou o dinheiro? Respondem os ingleses que Gold (ouro) tem uma letra a mais que God (Deus)".

Um comentário:

  1. Passagens de Marx:

    "As ideias dominantes de uma época sempre foram as ideias da classe dominante".

    "À medida que se suprime a exploração de um indivíduo por outro, suprime-se igualmente a exploração de uma nação por outra. Desaparecendo o antagonismo de classes no interior de uma nação, desaparece igualmente a hostilidade entre as nações".

    "Os operários não têm pátria".

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