sábado, 27 de dezembro de 2014

Paradoxo Natalino

O Natal, que simboliza o nascimento do menino Jesus, é a data mais importante do cristianismo e, paradoxalmente, é também a data mais importante do ano para o comércio, em função da maciça venda de presentes.
Eu usei a palavra paradoxalmente, pois, na teoria, uma coisa não se relaciona com a outra. Apesar de, no Vaticano, os talheres serem de ouro, o cristianismo, em essência, é simplicidade; as circunstâncias que envolvem o nascimento do menino Jesus são a maior prova disso: “E ela deu à luz o seu filho, o primogênito, e o enfaixou e deitou numa manjedoura, porque não havia lugar no alojamento” (LUCAS 2:7). A opulência, a índole consumista, a cerimônia com que a contemporaneidade reveste o Natal, portanto, é falsa, é inverídica, é mentirosa. O que acontece, no fundo, é uma apropriação das coisas – o capitalismo, com o intuito de vender, inventou o Papai Noel, a história da chaminé e as renas, povoando o imaginário ocidental com seus enfeites, substituindo a espiritualidade verdadeira pelo desejo de ser presenteado, a bondade pela alegorização, o gesto de amor pelo dinheiro.
Está certo que é no Natal que as famílias se reúnem, que as pessoas se abraçam, que os ânimos apaziguam, mas não está certo que os donos do poder façam do Natal a mais importante data do consumismo, que a indústria do marketing se apodere do “nome de Deus” para vender, que as criancinhas cresçam pensando que felicidade é ganhar o brinquedo mais caro.

[Fonte: Escrituras Sagradas ou Bíblia – Livro de LUCAS: capítulo 2, versículo 7]

Um comentário:

  1. No livro “Dicionário do Diabo”, Ambrose Bierce (1842-1913) definia o Natal como "uma jornada [...] que se consagra à glutonice, à embriaguez, ao sentimentalismo e ao consumismo”.

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