domingo, 2 de novembro de 2014

Mais do que uma vitória partidária

Em uma entrevista concedida à TV aberta, a presidenta reeleita Dilma Rousseff, falou sobre os quatro primeiros anos de seu governo e sobre seus objetivos futuros: “Em função da continuidade das políticas sociais iniciadas com Lula, os miseráveis se tornaram pobres, e muitos desses, por sua vez, ascenderam à classe média. Mas a distribuição de renda e o aumento dos salários, sozinhos, não serão capazes de manter estas conquistas. Para que os menos favorecidos continuem ascendendo, a educação é fundamental. Pois, sem estudo, nem os miseráveis nem os pobres poderão concorrer aos cargos que requerem mais conhecimento – juiz, promotor, delegado, diplomata – e que pagam melhor”. O ideal da presidenta, como o leitor pode perceber, se relaciona diretamente com o conceito de igualdade social.
Para o sujeito comum talvez não seja tão nítida esta divisão de classes, entretanto, ela ainda é abismal: “No Brasil, os 10% mais ricos têm renda média mensal 39 vezes maior que a dos 10% mais pobres” (p.8). No sistema financeiro, a concentração é ainda maior: “No Itaú, cada membro do Conselho de Administração recebeu, em média, R$ 15,5 milhões em 2013, conforme dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o que representa 318,5 vezes o que ganhou o bancário do piso salarial” (p.8). E foi justamente esta minoria de abastados que tentou, de todas as formas, inclusive com a veiculação de denúncias infundadas nas mídias de massa, eleger Aécio Neves. Banqueiros privados, especuladores, economistas ortodoxos, toda essa gentinha ligada, direta ou indiretamente, ao FMI, queria o candidato tucano, não só porque ele seguiria à risca o receituário neoliberal, mas, sobretudo, porque ele, sendo um membro da elite branca, jamais se preocuparia de verdade com o pobre.
A reeleição de Dilma, portanto, representa muito mais do que uma mera vitória partidária, do PT, represente, antes de tudo, a vitória de um ideal humanitário.

[Folha Extra – Informativo do Sindicato dos Bancário de Blumenau e Região. In: Demissões: rotatividade nos bancos. Edição de maio de 2014]

Um comentário:

  1. Estão dizendo por aí que as eleições dividiram o Brasil ao meio – Dilma 52%, Aécio 48% - mas, e desde quando fomos um país unido? a não ser na Copa do Mundo, quando a seleção entra em campo? ou no carnaval, para fazer folia? Sempre fomos separados – a história do povo brasileiro sempre foi a história do “empregado contra o chefe”, “do favelado contra o bacana”, “do branco contra o negro”, “do cara que possui uma BMW contra o que possui um carrinho popular”, “do filho de médico contra o filho de professor de escola”. Talvez essa divisão não seja tão nítida para o sujeito comum, talvez as coisas tenham mudado um pouco nos últimos 12 anos, nos governos Lula e Dilma, no entanto, a divisão continua e ainda é abismal. E não são apenas os números e as revistas e os sites e a televisão que dizem isto, são também os meus olhos que enxergam. Quem vai à Praia da Guarita, em Torres/RS, e sobe aquele belíssimo morro que enfeita a orla, lá de cima vê um imenso muro separando um condomínio de uma favela.

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