quinta-feira, 19 de junho de 2014

A Voz do Morro

O mundo não é certinho, existe muita malandragem por detrás das coisas. É como diz o ditado “quem tem boca vai a Roma”.
Os políticos, os religiosos, os empresários - e toda essa gentinha que tem a posição social como objetivo de vida - pensam que o pobre é um “joão-ninguém”, mas se enganam – o morro tem cultura, o morro tem ideias, o morro tem voz.
Se a “elite” branca importa os bons costumes da Europa, a rapaziada reinventa-os aqui, nas favelas; se a “elite” branca dança valsa quando a filha faz 15 anos, a rapaziada dança o passinho; se as patricinhas fazem cara feia, a funkeira manda a letra “Não olha pro lado, quem tá passando é o bonde/ Se ficar de caozada, a porrada come”:


Pois é, há uma guerra, uma “luta de classes”, como diria Marx. Mas eu jogo no time da rapaziada, como diria Bezerra da Silva “No morro ninguém tem milhões de dólares depositados na Suiça”:


E por aí vai. Mas não é só isso não. No âmbito do comportamento também há disputa: o que seria do homem pós-moderno sem a malandragem da conquista? o que seria do homem se, no século XXI, tivesse que decorar poemas românticos para conquistar mulheres? ou, em outras palavras, haveria amor sem “mentiras sinceras”?


[Referências musicais: (1) Fala mal de mim, de Mc Ludmilla; (2) Reunião de bacanas, interpretada por Originais do Samba; (3) Coração de malandro, de Martinho da Vila]

Um comentário:

  1. "Eu acredito é na rapaziada/ Que segue em frente e segura o rojão" (Gonzaguinha).

    O morro tem cultura! o morro tem ideias! o morro tem voz! Sim, tem!

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